sábado, 15 de janeiro de 2011

PRAÇA DO CONGRESSO DE MANAUS



Esta Praça foi projetada no período áureo da borracha, chamava-se Praça Antônio Bittencourt, em homenagem ao homem que governou o Estado do Amazonas, no período de 1908-1912, depois, passou a chamar-se Praça do Congresso, em decorrência da realização do 1º Congresso Eucarístico da Igreja Católica, realizado no ano de 1942, ocasião em que foi erguido o monumento a Nossa Senhora da Conceição.

Foi a mais famosa e bonita de Manaus, pois foi exatamente naquele local em que o governador Eduardo Ribeiro, iniciou a construção de uma das mais belas edificações de Manaus, a futura sede governo estadual, o sucessor mandou derrubar e projetou um novo prédio, não conseguiu ir em frente, depois, fizerem um mais simples, onde funciona, atualmente,  o Instituto de Educação do Amazonas (IEA). Existia também o Palacete Miranda Corrêa (atual edifício Maximino Corrêa) e o Prédio da Saúde (atual loja dos Correios), além de outro palacete, hoje ainda de pé, onde abriga a Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista.

No seu entorno fica o Ideal Clube, local onde a nata da sociedade manauense se encontrava para memoráveis bailes, além da Boite Moranquinho, onde somente os bacanas entravam. Existia também um bela casa, pertencia ao empresário Moisés Sabá, foi derrubada e no local foi construido o Hotel Go Inn.

A praça em si não era tão bonita, não chegava aos pés da Praça da Saudade e da Praça Heliodoro Balbi, porém, todos os maravilhosos prédios em seu redor, formando um belo conjunto, dava um charme todo especial à Praça do Congresso, além dela ficar bem na cabeceira da famosa Avenida Eduardo Ribeiro, onde tudo de bom e de melhor acontecia.

Esta Praça faz parte da minha infância, adolescência e adulta. Estudei no Colégio Estadual Divina Providência, atual Faculdade da Uninorte; da janela da sala de aula presenciei a demolição do Palacete do empresário Miranda Corrêa, para construção de um espigão feio; segundo relatos da minha saudosa mãe, o meu bisavô trabalhou como carpinteiro na confecção das portas do Palacete.

Acompanhei também a demolição do Prédio da Saúde, construíram outro de mau gosto, para abrigar uma agência dos Correios. Alguns anos depois, fui estudar no Colégio Benjamim Constant, começaram as paqueras na praça e as rodadas de sorvetes na Lanchonete Pinguim; posteriormente fui estudar no Instituto de Educação do Amazonas, comecei a frequentar o Bar Pinguim, nesta altura do campeonato, já rolavam umas cervejas.

Fiz o terceiro grau na Faculdade de Estudos Sociais, ficava próxima a praça, todo santo dia passava por lá. Tive o privilégio de participar do comício em prol das eleições diretas para Presidente da República, em 1984, este movimento ficou conhecido nacionalmente como “DIRETAS JÁ”, no comando do Deputado Federal Ulysses Guimarães.

Tudo para mim girava no entorno daquela praça: nasci no Hospital da Santa Casa de Misericórdia; estudei em colégios e faculdade próxima da praça; divertia-me no Luso Sporting Club e no Clube Juvenil; bebericava e paquerava na praça; babava das festas promovidas pelos bacanas no Ideal Club; presenciava os desfiles de Carnaval, Sete de Setembro e Peladão; a minha formatura foi no Teatro Amazonas e casei na Igreja de São Sebastião.

A Praça do Congresso encontra-se, atualmente, abandonada,  descacterizada, pichada pelos vândalos, quebrada, as saúvas tomaram conta dos canteiros, serve de dormitórios para mendigos, desocupados e de usuários de drogas. Mesmo com todo esse abandono, por parte da Prefeitura de Manaus, ela ainda é frequentada pelos estudantes secundaristas; nos finais de semana o pessoal do “heavy rock” toma conta do pedaço, além da turma destruidora do Skate e do Grafite; ainda existem barracas de vendas de comidas da culinária baiana e amazonense, além de ser o local preferido para manifestações e discursos de políticos. Aos domingos, um grupo de pessoas do bem, ligados o espiritismo, levam grandes panelas de Sopa de Legumes, distribuem para os moradores de ruas, levam também o conforto espiritual para os mais necessitados.

Não dá para entender o porquê do seu abandono, ela é histórica, está inserida no nosso cotidiano, é lamentável a omissão do atual Prefeito de Manaus. Era a Praça mais bela de Manaus, hoje, está feia, esquecida e abandonada!
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